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Exibição do filme “THE BLUE NIGHT” / “THE BLUE NIGHT” film exhibition

 

Nouveau Musée National de Monaco, Videoroom Villa Paloma, 2017

17 de Março – 11 de Junho / March 17th – June 11th

NMNM

 

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THE BLUE NIGHT

still frames

microfilme transferido para HD_5.1 sound_4′ / microfilm transfered to HD_5.1 sound_4′

2017

 

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Por volta de 1827, Hercule Florence descreveu em seu diário de bordo a “Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas”, uma região de formações rochosas abruptas perto da Serra de São Gerônimo. Durante a dura viagem para cima e para baixo de cachoeiras, Hercule levou um momento para observar e desenhar a surpreendente paisagem. Provavelmente, o momento mais mágico em sua jornada.
O filme “THE BLUE NIGHT” reconstrói o estelar, o movimento das nuvens e as sombras atrás das emblemáticas pedras da Chapada Diamantina. Influenciado pelos “tableaux transparent” e pela “stereopinture”, o filme fala de uma imaginária noite perdida no tempo e no espaço.
O filme, filmado com técnica de stop motion, foi feito utilizando todo o processo atual de microfilme ainda em uso no Brasil para copiar e preservar documentos legais. O cenário foi composto por muitas camadas e pequenos modelos sobre uma mesa de câmera de microfilme regular. O som projetado inclui sons de pássaros à noite e um som de espaço montado desta região mágica. A trilha sonora original foi gravada em um estúdio ao vivo com um instrumento musical eletrônico, o Teremim, e uma orquestra sintetizadora analógica.

Around 1827, Hercule Florence described in his logbook “Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas“, a region of abrupt rock formations nearby São Geronimo Mountain. During a hard trip up and down waterfalls, Hercule took a moment to observe and draw the amazing landscape. Probably, the most magical moment in his journey.
The film “ THE BLUE NIGHT“ reconstructs the stellar, cloud movement and shadows behind the emblematic Chapada Diamantina stones. Influenced by the “tableaux transparent“ and the “stereopinture“, the film talks about an imaginary lost night in time and space.
The film, shot with a stop motion technique, was made using all the current microfilm process that is still in use in Brazil to copy and preserve legal documents. The set was composed with many layers and small models by a regular microfilm camera table. The sound designed mixed night birdsongs and an assembled sound space of this magical region. The original sound track was recorded in a live studio performance with an electronic musical instrument, the Theremin, and an analogical synthesizer orchestra.

 

 

 

 

 

 

HISTORIA UNIVERSAL DE LOS TERREMOTOS

Fundación Botín – Santander, Spain, 2017

Curadoria de Álvaro Rodríguez Fominaya Curated by Álvaro Rodríguez Fominaya

 

17 de Fevereiro – 16 de Abril / February 17th – April 16th

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Em 1775, a cidade de Lisboa foi destruída após ter sofrido um terramoto, seguido por um tsunami e um incêndio. Este evento catastrófico teve um efeito profundo no país. Letícia Ramos parte deste evento histórico para produzir uma narrativa não-documental. A artista tem cultivado um interesse específico em “cozinhar” a fotografia, e desenvolveu várias câmeras protótipo. Consequentemente, há uma certa fisicalidade na experiência das imagens em seu trabalho. Esta experiência fotográfica mergulha-nos numa ideia do passado através do grão e da textura. Este cruzamento entre ciência e artesanato, entre conhecimento e experimentação, surge em várias de suas séries de obras. História universal dos terremotos (2016-17) não é um documento ou uma revisão histórica do que aconteceu em Lisboa; é uma história de ficção baseada em um evento que Ramos usa para tecer uma experiência própria. Historia universal de los terremotos é o projeto que ela criou para esta exposição e inclui não só uma série de fotografias, como também um livro de artista e uma escultura (devemos chamá-la cinético?), que está relacionado com a gaiola pombalina. Esta estrutura, a gaiola pombalina, foi desenvolvida em Lisboa como uma técnica de construção anti-sísmica após o terramoto.

Para esta série fotográfica Ramos utiliza um processo de fotografia estroboscópica em microfilme com o qual captura o movimento de objetos em queda, numa referência direta ao impacto do terremoto.
A fotografia estroboscópica tem sido usada principalmente no mundo científico e tornou-se amplamente conhecida através do legado de Edgerton. Ramos encontrou uma maneira de entrelaçar o natural com o místico, a força de um fenômeno geológico com a construção humana de um imaginário governado pelo irracional. El mago y el terremoto (2016) e Espectro do seísmo (2016), títulos de séries de imagens dentro deste projeto, refletem essa convergência com o esotérico. As imagens, de natureza abstrata, refletem a perda de foco que imaginamos em um evento deste tipo, onde tudo perde seus contornos acentuados e é abandonado ao seu destino natural. Essas imagens também nos levam ao campo da vanguarda, ao contrário da fotografia histórica. O fascínio pela estrutura da gaiola é expresso em uma série de estudos em que a artista analisa o movimento de uma folha de papel falhando, também usando a técnica estroboscópica.

Não é a primeira vez que Letícia Ramos trabalha numa área híbrida entre ciência, história e ficção. Cada um dos projetos é, por sua vez, um experimento. Ramos constrói todos os tipos de engenhocas e máquinas que vão ajudá-la a realizar o projeto no qual se encontra trabalhando. Em 2012 ela produziu o projeto Vostok. A partir do evento real da viagem de um submarino russo ao lago antártico do mesmo nome, ela desenvolveu um vídeo em que vemos o navio navegando pelas profundezas do lago. Como parte deste projeto, ela também produziu um trabalho sonoro e um livro de artista.
Essa referência à ciência e às fronteiras é algo que fascina Ramos. Trata-se de ver o trabalho científico como meio de gerar imagens significativas para a criação de arte; trata-se de descobrir um território novo e extremo no qual as linhas divisórias são apagadas. Ramos desenvolveu esta ideia de simular imagens científicas no mesmo período em que produziu o projeto Vostok, com toda uma série de fotografias que nos levaram a esta área, com títulos como Teleportation (2014) e Meteorite I (2014), embora na realidade careçam de significado científico e só façam sentido na esfera artística. Nesses trabalhos ela não só introduz a noção de simulação em sentido estrito, como também propõe a ideia de simular a utilidade num sentido ontológico. Juntamente com esses conceitos, a ideia de técnica fotográfica é um sentido ontológico. Juntamente com esses conceitos, a idéia de técnica fotográfica é um sentido ontológico. Juntamente com esses conceitos, a idéia de técnica fotográfica é um elemento intrínseco ao seu trabalho. Ramos construiu câmeras exclusivas feitas à mão, permitindo-lhe criar imagens diferenciadas pela noção de singularidade. Estas invenções de arqueologia tecnológica, o “Escafandro”, a máquina “ERBF”, o “Polar”, que ela desenvolveu entre 2007 e 2012, são dispositivos que ela usa para criar imagens únicas que de alguma forma nadam contra a corrente do mundo digital contemporâneo.
Álvaro Rodríguez Fominaya
2017

Texto do catálogo  “ITINERARIOS XXIII”

 

n 1775 Lisbon was destroyed after suffering an earthquake, followed by a tsunami and a fire. This catastrophic event had a profound effect on the country. Letícia Ramos starts from this historical event to produce a non-documentary narrative. This artist has cultivated a specific interest in “cooking” photography, and has developed various prototype cameras. Consequently there is a certain physicality in the experience of images in her work. This photographic experience immerses us in an idea of the past through grain and texture. This crossover between science and craftsmanship, between knowledge and experimentation, emerges in her various series of works. Historia universal de los terremotos [Universal History of Earthquakes] (2016-17) is not a document or a historical review of what happened in Lisbon; it is a fictional story based on an event which Ramos uses to weave an experience of her own. Historia universal de los terremotos is the project she has created for this exhibition and it includes not only a series of photographs but also an artist’s book and a sculpture (should we call it kinetic?), which is related to the gaiola pombalina. This structure, the gaiola pombalina, was developed in Lisbon as an anti-seismic construction technique after the earthquake.

For this photographic series Ramos uses a process of stroboscopic photography on microfilm with which she captures the movement of falling objects, in a direct reference to the impact of the earthquake.
Stroboscopic photography has been used primarily in the scientific world and has become widely known through the legacy of Edgerton. Ramos has found a way of interweaving the natural with the mystical, the force of a geological phenomenon with the human construction of an imaginary governed by the irrational. El mago y el terremoto [The Magician and the Earthquake] (2016) and Espectro del seísmo [Spectre of the Earthquake] (2016), titles of series of images within this project, reflect this convergence with the esoteric. The images, of an abstract nature, reflect the loss of focus that we imagine in an event of this kind, where everything loses its sharp outlines and is abandoned to its natural fate. These images also takes us into the realm of avant-garde, unlike historical photography. The fascination with the structure of the gaiola is expressed in a series of studies in which she analyses the movement of a sheet of paper failing, also using the stroboscopic technique.

This is not the first time Letícia Ramos has worked in a hybrid area between science, history and fiction. Each of the projects is in turn an experiment. Ramos constructs all kinds of contraptions and machines that will help her carry out the project she is working on. In 2012 she produced the Vostok project. Starting from the real event of the voyage of a Russian bathyscaphe to the Antarctic lake of the same name, she developed a video in which we see the vessel sailing through the depths of the lake. As part of this project she also produced a sound work and an artist’s book.
This reference to the scientific and to frontiers is something that fascinates Ramos. It is seeing scientific work as means of generating significant images for creating art; it is discovering a new and extreme territory in which dividing lines are erased. Ramos developed this idea of simulating scientific images in the same period as Vostok with a whole series of photographs that lead us into this area, with titles like Teleportation (2014) and Meteorite I (2014), although in fact they lack and scientific meaning and only make sense in the artistic sphere. In these works she not only introduces the notion of simulation in the strict sense, but also the idea of simulating utility in an ontological sense. Together with these concepts, the idea of photographic technique is an ontological sense. Together with these concepts, the idea of photographic technique is an intrinsic element of her work. Ramos has constructed unique hand-made cameras, enabling her to create images distinguished by the notion of singularity. These inventions of technological archaeology, the “Escafandro” [Diving Suit], the “ERBF” machine, the “Polar”, which she developed between 2007 and 2012, are devices she uses to create unique images that somehow swim against the current of the contemporary digital world.
Álvaro Rodríguez Fominaya
2017
Text from the catalog “ITINERARIOS XXIII”

 

 

 

 

 


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